O show do ano

Bob Dylan e sua banda lotam Via Funchal em apresentações históricas

No dia 5 de março, por volta das 22h, Bob Dylan abre o show da turnê Never-Ending Tour, em São Paulo, com a música “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, de 1966, para um público de mais de 3 mil pessoas.

Dylan é um gênio. E sua banda acompanha sua genialidade. Algumas pessoas dançam, outras ficam hipnotizadas e outras se emocionam com clássicos como “Masters of War” e "Things have changed" e canções novas como "The levee's gonna break" e "Spirit on the water" de seu disco de 2006, Modern Times. O ponto alto da noite fica por conta de “Like a Rolling Stone”, quando a platéia, em pé, batendo palma, canta, em uníssono, o refrão de uma das canções mais famosas de Dylan e de sua própria época. Momento marcante, inesquecível para os presentes.

Dylan é reservado, faz uma viagem na própria concentração. É capaz de criar um show intimista para um grande público, trazendo uma sensação de particularidade. Ele arrisca alguns passos, mas limita-se a “thank you” e “good night”. Mas quem acompanha a carreira do astro, já esperava por isso. Tanto quanto a estatueta do Oscar sobre o amplificador, que o cantor sempre leva consigo nos shows, prêmio por “Things have changed” – melhor canção – do filme “Garotos Incríveis” em 2001.

Dylan começa o show na sua posição histórica, de guitarra em punho, e depois troca pelo teclado, onde fica o resto da apresentação. Quando ele começa a tocar sua célebre gaita, o público retribui com palmas e gritos. É realmente fantástico ver, ao vivo, Bob Dylan e sua gaita.

Dylan fecha o show com “All Along Watchtower”, outro clássico, deixando uma platéia eletrizada e, sem dúvida, feliz.

No dia 6, lotando novamente a Via Funchal, Dylan volta mais animado, brincando com a platéia e cantando outros sucessos. Abriu o show com “Rainy Day Women 12th & 35”, seguido por “Lay Lady Lay”. Com seu sotaque, sua roupa, botas e chapéu típicos do cenário western, Dylan conferiu um ar country ao espetáculo, acompanhando grande parte de suas baladas.

No final do show, que durou quase duas horas, os músicos levantaram novamente o público com “Like a Rolling Stone”, ainda mais empolgado do que no primeiro dia. E, finalmente, fechou com a tão esperada “Blowin’In The Wind”.

A emoção do público ia além das músicas, era estar ali, cara a cara com o mito, a chance de apreciar ao vivo canções que marcaram décadas e décadas. Por si só, Dylan já valia o show, mas contando ainda com sua grande performance ao vivo e sua mais do que competente banda, transformou o evento em um espetáculo inesquecível.