Carta para o cara.
Enquanto escuto Comfortably Numb, do Pink Floyd, fico pensando no tanto de areia que eu sou para o seu caminhãozinho. E apesar da letra não ser sobre dor-de-cotovelo, a melodia me dá um ataque reflexivo e nela eu vou embora. Honestamente, acho que a esta altura, até atirei-o-pau-no-gato vai me fazer refletir. Sofrer por você me faz sofrer mais ainda porque, definitivamente, não está certo. Eu sou melhor do que você. Sou mais bonita, mais culta, mais corajosa, com menos desvios de caráter, mais madura, mais divertida, mais gostosa, mais honesta. Tenho mais personalidade, mais garra, mais experiência de vida. Então, caramba, sofra você por mim. Essa deveria ser a ordem natural das coisas, como o sólido virar líquido e o líquido virar gasoso.
Não, é você quem vira as costas e vai embora sem fechar a porta, é você quem tem a habilidade genial de fazer com que eu me sinta culpada pelos seus erros. É você quem me faz roer as unhas recém-saídas da manicure com aquela cor de esmalte que você gosta.
Por que eu tenho que aturar as consequências de você ser o que é? Covardia. Eu não traí, não menti, não roubei, não bati, não matei. Mas o mundo não é dos justos, é dos espertos. E isso eu não sou, não emocionalmente. Então toma. Castigo. Para aprender a gostar de mim antes de gostar de você, para aprender que eu não preciso da sua aprovação para ter a minha. Para aprender que suas mãos me abraçando não valem o perrengue de passar a noite esfolando o travesseiro. Que a brancura hipnotizante dos seus dentes não vale o inchaço constante dos meus olhos. Quem sabe um dia eu entenda que você não sair da minha vida mas nunca ser meu é ruim para mim. Que você ser possessivo mas não querer ter dona não é saudável. Que você querer mudar minhas características e depois me deixar de lado não me faz bem. Te dei muito mais do que você merecia, muito mais do que você precisava. Me dei para você e fiquei de mãos abanando. Sempre opcional para quem sempre foi o mais importante, torcendo intimamente para ser escolhida, enquanto eu ficava, incondicionalmente, com você. Ficava. No passado. Um lapso de equilíbrio me mostrou que ruim mesmo é te perder aos pouquinhos, é ter você em pedacinhos, tão fragmentados que, quando estou do seu lado não consigo aproveitar, só penso no futuro, se você vai estar lá. Mas, de repente, eu não quero mais que você esteja. Me dá tremedeira pensar em viver passando por isso. Hoje, mais tremedeira do que pensar em viver sem você. Afinal, eu já vivo sem você. Vou fazer que nem a minha mãe me ensinou: vou me amar, vou ter orgulho de mim mesma e vou ficar longe de caras como você, que já foi o cara mas vai ser só mais um que passou pela minha vida e que eu ainda vou me perguntar como foi que um dia eu pude gostar. Adeus.
Não, é você quem vira as costas e vai embora sem fechar a porta, é você quem tem a habilidade genial de fazer com que eu me sinta culpada pelos seus erros. É você quem me faz roer as unhas recém-saídas da manicure com aquela cor de esmalte que você gosta.
Por que eu tenho que aturar as consequências de você ser o que é? Covardia. Eu não traí, não menti, não roubei, não bati, não matei. Mas o mundo não é dos justos, é dos espertos. E isso eu não sou, não emocionalmente. Então toma. Castigo. Para aprender a gostar de mim antes de gostar de você, para aprender que eu não preciso da sua aprovação para ter a minha. Para aprender que suas mãos me abraçando não valem o perrengue de passar a noite esfolando o travesseiro. Que a brancura hipnotizante dos seus dentes não vale o inchaço constante dos meus olhos. Quem sabe um dia eu entenda que você não sair da minha vida mas nunca ser meu é ruim para mim. Que você ser possessivo mas não querer ter dona não é saudável. Que você querer mudar minhas características e depois me deixar de lado não me faz bem. Te dei muito mais do que você merecia, muito mais do que você precisava. Me dei para você e fiquei de mãos abanando. Sempre opcional para quem sempre foi o mais importante, torcendo intimamente para ser escolhida, enquanto eu ficava, incondicionalmente, com você. Ficava. No passado. Um lapso de equilíbrio me mostrou que ruim mesmo é te perder aos pouquinhos, é ter você em pedacinhos, tão fragmentados que, quando estou do seu lado não consigo aproveitar, só penso no futuro, se você vai estar lá. Mas, de repente, eu não quero mais que você esteja. Me dá tremedeira pensar em viver passando por isso. Hoje, mais tremedeira do que pensar em viver sem você. Afinal, eu já vivo sem você. Vou fazer que nem a minha mãe me ensinou: vou me amar, vou ter orgulho de mim mesma e vou ficar longe de caras como você, que já foi o cara mas vai ser só mais um que passou pela minha vida e que eu ainda vou me perguntar como foi que um dia eu pude gostar. Adeus.
29/03/2007