Lá vem ela

Você sabe aquela coisa que assola milhões de mulheres pelo mundo? Aquele fenômeno inexplicável que todo mês faz uma visitinha deixando um rastro de terror por onde passa? Que faz até o mais paciente e bonzinho dos homens sair correndo? Sim, é ela. A TPM.
Alguns incrédulos engraçadinhos afirmam, sem medo de morrer, que é uma desculpa para a gente deitar e rolar no período. Pois é, queridos, sinto lhes dizer que vocês estão enganados. Redondamente. Nós, pobres mulheres, sofremos de TPM sim, com exceção de algumas que foram abençoadas pela fada da Pré-Menstruação Tranquila, mas em compensação devem passar horrores com cólicas. Bom, de um jeito ou de outro a gente acaba sofrendo.
Acredite se quiser, a TPM é mais difícil para nós, mulheres que padecemos deste mal, do que para vocês, homens, parentes e amigos, nossas vítimas nesses cinco, às vezes mais, dias de terror e tortura. Além de virarmos monstros inchados e chorões, ficamos à flor da pele, altamente suscetíveis a bruscas alterações de humor. Qualquer gota d’água é um dilúvio, qualquer fechada no trânsito é a maldade do ano do cretino-sem-coração-que-deve-ter-comprado-a-carteira-de-motorista e qualquer mordida desavisada no nosso chocolate é fatal, para quem morde, é claro. Eu já chorei com a musiquinha do caminhão de gás, com discurso de Miss Universo, ouvindo David Bowie e quando o Nico voltou para a Grécia, e olha que eu nunca tinha assistido Belíssima na vida. Já tive crises de stress quando minha unha quebrou, meu cabelo embaraçou, a calça não entrou, o doce acabou e o despertador tocou.
O interessante da TPM é que é fonte inesgotável de conversas, pesquisas, discussões e brigas. Quem não tem não entende, quem tem não entende como quem não tem não pode entender! Entendeu? É, confuso, mas é isso mesmo. Porque no fundo, a única coisa que queremos é compreensão. Ok, vai, mentira, não é a única, também queremos ser amadas, paparicadas, elogiadas e todos os adas do bem. Mas essas são consequências que só acontecem se formos compreendidas! Senão é aquele vício: se eu estou histérica e quem estiver do meu lado resolver ficar também, aí eu fico mais ainda, aí a gente brinca de quem grita mais alto. E essa brincadeira, definitivamente, não tem a menor graça. Logo, companheiros, amigos, parentes e quem mais que tiver que aguentar esta época de crises, tenham paciência, muita, muita mesmo, aquela compreensão que nós já conversamos e perseverança, afinal, tudo acaba e a fofa volta a ser fofa. Até o mês que vem.

24/08/2006